quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Por que empregados comprometidos se acidentam?

Grandes avanços foram alcançados na gestão de segurança no trabalho no que diz respeito aos aspectos ambientais, tecnológicos, legais e organizacionais nos últimos anos e isso fez com que os índices de acidentes fossem reduzidos de forma significativa no Brasil e no mundo. 
No entanto, os acidentes ainda acontecem e deixam líderes e profissionais da prevenção preocupados e com respostas divergentes na tentativa de elucidar as questões baixo.
  1. Por que as empresas tem tantos programas de prevenção, procedimentos, investimento em tecnologia e em sistema de gestão, mas ainda continuam alto índice de acidentes de trabalho?
  2. Por que empregados comprometidos que passaram por treinamentos introdutórios, treinamentos de reciclagem periódica, mobilizações e DSS se envolvem em acidentes de trabalho?
  3. O que ainda podemos fazer para evitar acidentes de trabalho?

 As respostas para estas questões estão relacionadas aos fatores humanos.
                                                                                                                                  
Chamamos de “comportamento de risco” atos, atitudes e ações cotidianas que abrangem o comportamento de cada indivíduo dentro de uma situação. No ambiente laboral, consideramos os comportamentos dos trabalhadores perante os serviços diários. Tais ações podem gerar incidentes ou mesmo graves acidentes, colocando em risco a saúde e integridade física dos trabalhadores. É importante que você entenda que o comportamento de risco é algo individual, ou seja, ele varia de pessoa a pessoa, pois ele depende diretamente das ações de cada um. Isso significa que sempre que você ou um colega de trabalho ou um visitante se comportar provocando um incidente ou agir de forma não segura, ele está pondo em prática o comportamento de risco.

A Teoria da Compensação do Risco desenvolvida por John Adams é uma teoria do comportamento social, a compensação do risco descreve o efeito que acontece quando as pessoas percebem uma mudança nos riscos que enfrentam. A Teoria de Compensação de risco afirma que as pessoas fazem ajustes ao seu comportamento de acordo com a percepção do nível de perigo e que, na maioria das vezes, quando estes perigos são percebidos a ser menor, as pessoas tendem a ser mais ousadas. A sensação de que eles estão mais seguros, tornando-os menos cauteloso em suas ações em busca de algum tipo de recompensa, muitas vezes podem gerar acidentes. 
Elementos da Teoria
Percepção do Perigo - Capacidade de interpretar os perigos nas atividades cotidianas  e desenvolver medidas de controle;
Propensão a Correr Riscos -  Tendência de realizar ação ou omissão que gera maior exposição aos riscos;
Recompensas - Obtenção de algum tipo de benefício pela ação ou comportamento;
Acidentes -  Perdas pessoais, financeiras, materiais ou ambientais;
Comportamento Equilibrado - Procedimento de alguém face a estímulos ou a sentimentos e necessidades ou uma combinação de ambos.

Exemplo da Aplicação da Teoria

Descrição: João Paulo é um soldador com 10 anos de experiência, seu supervisor, ás 15h o Sr Ricardo lhe informa que existe uma entrega importante para aquela tarde de sexta-feira e que lhe exigiria mais dedicação e a realização de algumas horas adicionais, mas se ele concluísse com êxito a tarefa na sexta, poderia ficar o sábado todo de folga.

Percepção do Perigo - João Paulo conhece bem as atividades de solda, trabalha em uma baia sozinho e acredita que nada pode ocorrer de errado (autoconfiança);
Propensão a Correr Riscos -  Joao teve um estimulo para correr riscos e tem a convicção de que nada dará errado (motivo para se expor mais);
Recompensas - Passar o sábado todo de folga lhe parecia muito bom, tempo para futebol, amigos e até mesmo passar a tarde toda com a namorada (percepção de ganho);
Comportamento Equilibrado - Alguns passos mais demorados do procedimento de solda foram negligenciados (descumpriu procedimentos);
Acidente -  As 16:30h o Sr Ricardo foi avaliar a evolução do trabalho do João Paulo e foi atingido por fagulhas de solda, pois para ganhar tempo João Paulo não colocou o biombo de proteção (lesão pessoal).

Comportamento de Risco mais Frequentes
- Realizar intervenção em máquinas, equipamentos e sistemas sem bloqueio de energia;
- Improvisar ferramentas, acessórios pata execução de trabalho “gambiarras”;
- Realizar atividades sem estar autorizado e capacitado;
- Negligenciar procedimentos de segurança;
- Realizar intervenção em máquinas, equipamentos e sistemas sem bloqueio de energia;
- Sentir muito seguro e subestimar as normas de segurança (autoconfiança);
- Burlar sistemas proteção de máquinas, equipamentos e sistemas;
- Ultrapassar a capacidade de sistemas e equipamentos;
- Levantar peso de forma ergonomicamente incorreta;
- Realizar ultrapassagem em local proibido;
- Dirigir em alta velocidade;
- Realizar brincadeiras de mau gosto dentro do ambiente de trabalho;
- Utilização de ferramentas e equipamentos defeituosos;
- Desatenção ou ritmo acelerado de trabalho.

Como educar as pessoas? Como comprometê-las com o processo? Como melhorar o controle dos riscos? Como motivar para a prevenção?
O comportamento seguro de um trabalhador, de um grupo ou de uma organização é definido como sendo a capacidade de identificar e controlar os riscos presentes numa atividade no presente, de forma a reduzir a probabilidade de ocorrências indesejadas no futuro, para si e para os outros. É esta competência que deve ser desenvolvida e estimulada nos processos educativos para que os comportamentos seguros sejam mais frequentes nas frentes de trabalho, as ações de conscientização, fiscalização e gestão por consequência também são importante para eliminar os comportamentos de riscos e privilegiar o comportamento seguro nas organizações como forma de prevenção de acidentes do trabalho.

A preocupação com prevenção de acidentes do trabalho deve estar nas pautas estratégicas de todos na empresa, pois estamos falando de preservar a integridade das pessoas, principal ativo das organizações.

Referência:
ADAMS, J. O Risco. São Paulo: Editora Senac, 2011

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Evolução do Pensamento Administrativo

A administração é um ramo das ciências humanas que se caracteriza pela aplicação prática de um conjunto de princípios, normas e funções dentro das organizações. É praticada especialmente nas empresas, sejam elas públicas, privadas, mistas ou outras. Administração também pode ser encarada como sendo o ato de administrar ou gerenciar negócios,  pessoas ou recursos, com o objetivo de alcançar metas definidas. É uma palavra com origem no latim “administratione”, que significa “direção, gerência”. 

O significado e o conteúdo da Administração sofreram uma formidável ampliação e aprofundamento através das diferentes teorias do pensamento administrativo. O conteúdo do estudo da Administração varia de acordo com a teoria ou escola considerada. Cada autor da Administração tende a abordar as variáveis e assuntos típicos da orientação teórica de sua escola ou teoria.


Variáveis Básicas na Teoria Geral da Administração
A Teoria Geral da Administração (TGA) estuda a Administração das organizações e empresas do ponto de vista da interação e interdependência entre as cinco variáveis principais: tarefa, estrutura, pessoas, tecnologia e ambiente. Elas constituem os principais componentes no estudo da Administração das organizações e empresas. O comportamento desses componentes é sistêmico e complexo: cada um influencia e é influenciado pelos outros. Modificações em um componente provocam modificações em maior ou menor grau nos demais. O comportamento de seu conjunto é diferente da soma dos comportamentos de cada componente considerado isoladamente. Na realidade, a adequação e integração entre essas cinco variáveis constitui o desafio da Administração. 

O pensamento administrativo começou com a ênfase nas tarefas (atividades executadas pelos operários em uma fábrica), através da Administração Científica de Taylor. A seguir, a preocupação básica passou para a ênfase na estrutura com a Teoria Clássica de Fayol e com a Teoria da Burocracia de Weber, seguindo-se mais tarde a Teoria Estruturalista. A reação humanística surgiu com a ênfase nas pessoas, por meio da Teoria das Relações Humanas, mais tarde desenvolvida pela Teoria Comportamental e pela Teoria do Desenvolvimento Organizacional. A ênfase no ambiente surgiu com a Teoria dos Sistemas, sendo completada pela Teoria da Contingência. Esta, posteriormente, desenvolveu a ênfase na tecnologia. Cada uma dessas cinco variáveis - tarefas, estrutura, pessoas, ambiente e tecnologia provocou a seu tempo uma diferente teoria administrativa, marcando um gradativo passo no desenvolvimento da TGA. Cada teoria administrativa privilegia ou enfatiza uma ou mais dessas cinco variáveis.
Teorias em 2017
As rápidas pinceladas a respeito dos gradativos passos da TGA mostram o efeito cumulativo e gradativamente abrangente das diversas teorias com suas diferentes contribuições e diferentes enfoques.

Ainda hoje, todas as teorias administrativas são válidas, embora cada qual valorize uma ou algumas das cinco variáveis básicas. Na realidade, cada teoria administrativa surgiu como uma resposta aos problemas empresariais mais relevantes de sua época. E, neste caso, todas elas foram bem-sucedidas ao apresentarem soluções específicas para tais problemas. De certo modo, todas as teorias administrativas ainda são aplicáveis às situações atuais, e o administrador precisa conhecê-las bem para ter à sua disposição um leque de alternativas adequadas para a situação.

Administração se transforma
A medida que a Administração se defronta com novas situações que surgem no decorrer do tempo, as doutrinas e teorias administrativas precisam adaptar suas abordagens ou modificá-las para continuarem úteis e aplicáveis. Isso explica, em parte, os gradativos passos da TGA no decorrer dos tempos e a gradativa abrangência e complexidade que acabamos de discutir.

O pensamento administrativo está continuamente se expandindo e se ampliando, levando o leitor a uma dificuldade de se familiarizar, mesmo que superficialmente, com uma amostra representativa da literatura sobre a Administração.

Referências:
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração 8ªed. São Paulo: Campus, 2011
DRUCKER, P. F. Uma Era de Descontinuidade, Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1970